DEPOIS-DOS-30-ANOS(1) Manual do Giuliano

NOME

Depois dos 30 anos…

· Reflexões · 3 min

DESCRIÇÃO

É como se seu corpo passasse por uma segunda adolescência, a cor do cabelo começa a mudar, nascem cabelos onde não existiam, tipo dentro da orelha, e seu corpo começa a te lembrar que você não está mais na casa dos 20 anos.

Acho que o primeiro momento que eu me dei conta que estava “velho”, sim, porque temos que usar aspas, afinal, ainda estamos no começo dessa longa jornada, pois, a vista da minha mãe, eu sou muito novo. Então, a primeira vez foi quando, como diz o cara do Campari (a depender de quando você estiver lendo isso, você não fará ideia de quem eu estou falando), eu recusei uma breja, termo esse que por si só denuncia não apenas a minha idade como também a falta irrefutável de bom gosto.

Nesse momento são 04 (quatro) horas da manhã, não sei se digo da madrugada, mas, creio que pelo código civil, ela se enquadra nessa classificação, sim, meretíssimo eu sabia que ela era “de menor”. Não sei o que é pecado maior, acordar tão cedo ou ter que acordar porque meu joelho dói e meu quadril me faz urrar em desespero e terror.

Isso acontece, pois, eu contra todas as recomendações do bom senso, liguei um ventilador em posição estática na minha direção. O vento concentrado com toda sua força em um único sentido tinha um preço a cobrar, afinal, todas as ações tem consequências.

Segundo o Google não é que o ventilador me causou reumatismo ou qualquer coisa que o valha, mas, em suas palavras, ele causou vasoconstrição que “(…) diminui a chegada de sangue nas extremidades, deixando-as mais suscetível à dor“. Eu até poderia citar autor do excerto, isto é, de onde tirei essa informação, mas, irei no melhor espírito desta era, atribuí-la ao Google, afinal, é o que essa empresa sempre quis, se apropriar do conhecimento alheio e trazer para si todos os créditos.

Não muito diferente dos “gênios” capitalistas do passado como Thomas Edison que registrou diversas patentes que eram nada mais do que ideias roubadas de seus assistentes. Afinal, a imagem do inventor trancado numa garagem, trabalhando em algo que revolucionaria o mundo, é algo tão real quanto o Papai Noel.

Entretanto, voltando ao assunto que origina este post. Diante de quadro tão severo, fiz o que qualquer pessoa sensata e insone faria, vim para o computador escrever este belo relato, e me lembrar de nunca mais cometer esse erro infeliz.

Mas, a quem eu estou querendo enganar, se eu o fiz diante do calor avassalador dos últimos dias, nada me impedirá de cometer o mesmo erro outra vez, afinal de contas, o nome é “Aquecimento Global” ou “Ebulição Global”.

Fico entusiasmado em saber que nem as piores ficcções científicas dos anos 90 conseguiram prever um final mais caótico, lento e previsível como esse. Talvez, todas aquelas produções tinham dinheiro da Indústria do Petróleo, que queria nos desviar do problema real que era o aumento gradual e inevitável dos gases do efeito estufa.

Enfim divago, a lição importante que devemos tirar disso aqui é que ar condicionado é mais seguro para as minhas articulações do que o ventilador. Ao menos, se eu quiser ter uma qualidade de vida razoavelmente boa. E o meio ambiente? E a minha parte no consumo consciente que nos irá salvar da catástrofe global?

Lembre-se da máxima: Não existe consumo consciente no capitalismo, enquanto você economiza a sua cota de CO2 do dia, a ida de jatinho de um capitalista qualquer equivale a todo seu consumo em toda sua vida. Isso para ficarmos em apenas um exemplo.

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